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Atitudes

Mostraste tua ira com as atitudes. Escondeste em tua voz tranquila a agressividade. Por que foste violenta, por que rude? Por que tua gentileza tornou-se em frialdade? Trecho de poema LIVRO SÓ PODERIA DAR EM POESIA

Foi tão breve

 

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Aquela demora quase insuportável e que parece não dar em nada e nem ter fim.

Então eu pude notar que... eu vi como se... Como se você fechasse as cortinas logo após o "palco se abrir"...

Você sabe que eu havia escancarado a porta e falado, subitamente e sem reprimir nem uma palavra:


—Eu te aceito. Levo as tuas bagagens; divido o peso contigo. Se, se a névoa em noite extremamente fria e por um acaso nos acharmos desprovido de proteção, sim, junto com os  ombros topados um no outro enquanto nossos olhos fitados nas últimas chamas do fogo já fumegando, eu levaria a tua bagagem junto a tua bagagem na minha...

Mas no fundo no fundo eu temia... Como se eu me doasse mais do que pudesse pensar e cuidar de mim. E simplesmente eu cuidar de mim e me achar sozinho na sombra de que um dia eu pudesse escutar tua voz ou perceber suas atitudes em demonstração de desprezo ou indiferença.


Lembra quando eu disse que eu sairia correndo?...

Mesmo na madrugada com chuva intensa e eu a buscar os teus remédios procurando a última farmácia aberta...


–logo! Diria eu ao moço, porque preciso voltar no mesmo rítimo...


 Amorosamente eu carregaria a tua bagagem e eu já estava tendo conhecimento; eu já tinha averiguado os termos…


Então você disse:


—Você não tem medo?


—É claro que tenho. Todo mundo tem.


—Qual medo que você tem?


—Tenho medo da ingratidão ou do desprezo. 

Quando aquela nebulosidade passar e o primeiro brilho do sol aparecer após aquela noite extremamente fria em que ficamos desprovido como num deserto, você olhar pra mim e dizer:


—Agora o pior já passou e posso prosseguir sozinha.


Eu pude aceitar e sei que pode ser um risco. Mas eu decidi enfrentar qualquer impacto, posto que somos humanos e em geral parecidos...

Se eu não temo? Ah... Temo sim. Porque dentro dessa  pele, mesmo sendo de homem mora uma alma tenra e que...

Eu pude aceitar e sei que pode ser um risco. Mas eu decidi enfrentar qualquer impacto posto que somos humanos...

Você nem esperou e quando fui ao encontro você havia se retirado sem deixar aviso, eu sei.

Foi aí que pensei em separar minhas malas das suas malas e prosseguir sozinho...

Porque quando eu havia decidido definitivamente e voltei correndo para dizer:

Nós vamos conseguir! 

Porém pensei que você já tinha partido.

Eu também tirei um tempo para reflexão, mas eu voltei e eu queria aproveitar aquele tempo de harmonia, em que um parecia estar entendendo o outro...

Eu tentei explicar e você fechou a porta. 


De alguma maneira eu via em teu olhar, algumas vezes, como de uma criancinha agitada enquanto se diverte. O teu olhar, bem como os traços do teu riso é como uma criança agitada que se diverte e como se não existisse mundo de adultos... 

Eu via isso e vi que você não tem culpa de ser agitada...

Eu tentei te dizer que iríamos longe. Percebi teu olhar como de uma criança agitada mas ao mesmo tempo um coração adulto reservando-se um "bom- amor" e cuidado... 

Nós fechamos a porta em tempos diferentes entre um e outro.

Eu também tirei um tempo para refletir e disse comigo mesmo:


—Eu ajudaria ela a carregar as bagagens e dividir o peso. Armar uma tenda no caminho, se preciso, e quando o frio aparecer intensamente e ficarmos quase como que desprovido e mesmo que se a última vela ou final de fogueira que nos aqueceria se acabasse , mesmo que sobre uma única vela, nossos ombros e nossos abraços nos aqueceríamos.


Eu esqueci de falar e nem mesmo deu tempo porque a porta você fechou tão cedo... Porque eu também sinto medo e a distância me deixa vulnerável a ir sozinho assim como comecei a ir... Eu fiquei confuso, porque eu esperava alguma palavra.

Mas nem deu tempo para falar— minha indisposição é de esperar e não ter resposta.

Então estou sozinho e desprovido de teus ombros e agora acho que vou seguir...



Foi tão breve

Josué Brito





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